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Abençoado Alban Hefin ❣️

Abençoado Alban Hefin ❣️

O solstício de verão é o tempo da maior luminosidade para nós – e é conhecido como a festa da alegria. De certa forma, é a mais voltada para o exterior das oito festas. E assim como a paisagem ao nosso redor se regozija num esplendor colorido e perfumado, celebramos também a força e o poder do sol e a riqueza da Terra.

Exatamente entre Beltaine e Lughnasadh está Alban Hefin, o solstício de verão no auge da influência do sol sobre a Terra. A espiral do ano esticou-se até o ponto máximo e as horas de luz duram mais do que nunca. Após 21 ou 22 de junho, o poder do sol começa a diminuir e os dias tornam-se mais curtos. O sol alcançou (no seu nascer e pôr) o ponto mais a norte no horizonte e agora inicia a sua longa viagem para o sul, que termina no Alban Arthan, o solstício de inverno, em meados de dezembro. No hemisfério sul, Alban Hefin ocorre a 21 ou 22 de dezembro, quando o sol nasce e se põe no ponto mais a sul do horizonte.

Em Cornwall e no País de Gales, meninas e rapazes adornados com guirlandas de flores dançavam em torno das grandes fogueiras. Jovens lançavam troncos em chamas sobre as suas cabeças para formar rodas solares. Equilibravam barris em chamas em varas ou enfrentavam provas de coragem, como saltar através das chamas. Talvez também quisessem encorajar o cereal a "saltar" para cima. Quando as chamas se apagavam, os dançarinos uniam as mãos e corriam pelas brasas ardentes, tomando cuidado para não romper a corrente, pois isso dava azar. Acreditava-se que as cinzas dessas fogueiras tinham poderes mágicos. Por isso, os agricultores recolhiam-nas cuidadosamente para espalhar nos campos ou nos estábulos. As antigas tradições das fogueiras de alegria mantiveram-se até hoje, sendo ainda comuns em Cornwall, graças aos esforços da "Old Cornwall Society" para preservar essas antigas tradições. Na noite de São João, cada colina em Cornwall brilha como um fogo de sinal visível a quilómetros de distância. Como nos tempos antigos, em algumas cidades filas longas de dançarinos seguem a antiga dança da serpente pelas ruas.

No condado de Limerick, na Irlanda, as pessoas formavam longas filas subindo para a colina da rainha das fadas Áine. O seu nome significa "Luminosidade". Provavelmente foi uma deusa do sol. Para garantir uma boa colheita e animais saudáveis, as pessoas incendiavam feixes de palha e feno chamados "cliars", que agitavam sobre os campos e o gado. Assim que a grande fogueira na colina era acesa, Áine e seu povo saíam para a festa. No século XIX, algumas raparigas ficaram acordadas numa dessas ocasiões para observar os cliars, quando de repente Áine apareceu entre elas, agradecendo-lhes pela honra, mas avisando que era melhor irem para casa, pois os seus amigos do outro mundo queriam agora a colina para si. Alguns mortais olhavam através do seu anel e parecia-lhes que a colina estava cheia de fadas e elfos, revelados pelos seus poderes mágicos.

O solstício de verão era uma das três noites de espíritos do ano, sendo Beltaine e Samhain as outras duas. Fadas e espíritos estavam activos e podiam ser facilmente vistos por aqueles cuja sensibilidade tornava o véu entre os mundos extraordinariamente fino. Era também um momento adequado para recolher ervas mágicas e curativas: sementes de feto recolhidas na noite do solstício de verão podiam tornar invisível, bagas de sabugueiro afastavam feitiços, mil-folhas, verbena e erva-de-ferro eram penduradas em partes especiais da casa como proteção contra o mau-olhado e a morte. Acima de tudo, era a altura de colher hipericão. A flor dourada em forma de estrela era a primeira das ervas a ser colhida na noite de São João. No País de Gales, chamada "planta abençoada", era conhecida nas terras celtas por trazer paz e prosperidade às casas, boas colheitas e saúde ao gado. Pelas suas propriedades protectoras, em Escócia era lançada nas fogueiras do solstício e pendurada sobre as portas das casas e quintas. A crença dizia que estas plantas mágicas estavam cheias da energia do sol no seu auge, energia essa que agora se transformava numa bênção verde para o mundo dos humanos.

Esta época é conhecida na tradição druídica como Alban Hefin – "a luz do verão" ou "a luz da costa". Em Alban Hefin completou-se a ascensão do sol, que nasceu em Alban Arthan. O solstício de inverno era ocasião de luto pela morte do velho ano e pelo desaparecimento da luz. Então nasceu a criança sol, o Mabon, que em Alban Eilir, o equinócio da primavera, já havia lutado com as trevas pelo domínio dos rebanhos. Agora, no solstício de verão, ele triunfou finalmente e retraiu a escuridão para poucas horas. Por isso, ele agora é o vencedor e está na flor da sua força. Mas aqui também se manifesta a lição das contradições – porque ao alcançar o seu apogeu, ele também semeou a semente da sua queda. Pois desde este momento do ano começa o declínio até ao dia mais curto, Alban Arthan; como diz a tradição taoista: "Quando o Yang alcança o auge, transforma-se em Yin; quando o Yin alcança o auge, transforma-se em Yang."